Eu nunca imaginei
que a vida fosse me dar tamanhoo presente.
que eu fosse descobrir
um pedaço de mim
em alguém tão diferente
(Pelo menos aparentemente)
Descobri numa gringa
algo mais que um irmã
em você, guapa, eu sou.
Te vejo e sejo,
ontem, hoje, e amanha
e sinto que por onde você for
eu também vou.
que nem peito e sutiã
é quase como se eu tivesse visto
os lugares que você já viu
mas é que na verdade eu conheço
essa angústia de quem partiu
esse medo de ficar no mesmo lugar
essa vontade de querer voltar
e quando ninguém parece me entender
eu me vejo em você
e sei que eu não vou mudar.
me vejo em cada angústia sua
me vejo, vendo ela passar
me vejo te recontando a minha
e te aconselhando,
quando é sua vez de me aconselhar
E tudo isso que vou vendo,
me permite ser imensa
porque através de você
eu tenho mais formas de ir sendo.
e aí, quando a ggente pára e pensa,
é como se eu começasse a crescer
toda vez que eu te ver crescendo.
É como se eu fosse samba
cada vez que você dança
É como se eu me encontrasse
com minha parte mais adulta
e a outra mais criança
E essa parte sua
que eu trago aqui
me dá força pra ser eu mesma
pra lutar e nunca desistir.
É que depois que te conheci
ficou mais fácil sobreviver
porque eu sei que tem outra parte de mim
em algum outro lugar
me impulsionando a viver
(E não me deixando parar de sonhar)
terça-feira, 2 de agosto de 2016
domingo, 15 de maio de 2016
O Velho e o Novo

13 de maio,
Paulo Afonso,
Maria Bonita.
Hoje, apesar de um dia de datas confusas, foi o dia em que bati asas para nutrir raízes.
Ultimamente, são esses os encontros que mais me agradam. Ultimamente, os Re-encontros tem me agradado muito.
Bateu o prazer do bater de asas, que sempre me preencheu por si só. Mas, agora tem sido mais que metaforizar a ideia do ar, em busca de águas.
Tem sido uma descoberta de que essa imagem do ar, para ver a água como forma de reconexão com as terras tantas e o nutrir do fogo interno.
Hoje, no lugar mais ao norte que já fui em território brasileiro, me senti muito perto de casa.
Sentada na beira do Velho Chico, me surpreendi com o tanto que ele me pareceu novo. Um sentimento paradoxal de que eu já sabia todas aquelas histórias que ele tinha pra contar, mas que nunca as tinha ouvido antes.
É um misto de reouvir as histórias de sua família que você já sabe de cor, com o gosto da novidade, Reouvi-las de alguém diferente, ou ouvir um detalhe novo daquele mesmo contador de histórias de sempre.
E descobrir que ele tem ainda muito mais pra te contar do que jamais se sonhou ouvir.
Hoje, apesar do café da manhã ter sido cuscus o invés de broa e pão de queijo, o feijão do almoço tinha gosto de roça.
E roça tem gosto de casa.
Eu já conheci o exercício de sair de si, e do conforto do conhecido. Já sabia tudo o que nele há de bom e de viciante. Hoje esse exercício se encontrou com o da introspecção e reconstrução interna.
Hoje não fui nem rio, nem mar. Fui pororoca.
Tenho aprendido a carregar (e a ser) ambas energias, tão diferentes e tão complementares. Tão calmantes e revigorantes, apesar de doce e sal.
Viajar sempre se tratou de partir e descobrir. Expandir e voltar pra casa ainda maior!
Desde que parti sem data pra voltar, tenho aprendido a ser minha própria casa. A ser minhas histórias e minhas vivências.
Tenho aprendido a ser cada banho de rio e de mar.
Tenho aprendido, no meu próprio reencontro, a força de ser encontro.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Namoradeira
Tem horas que eu queria saber desenhar,
pra retratar cenas
Significativas,
Silêncios soando poemas
pra retratar cenas
Significativas,
Silêncios soando poemas
Tipo a cena da janela,
eu olhando você
olhar através dela.
Um café, um cigarro,
Um suspiro e um pigarro
de quem acabou de acordar
eu olhando você
olhar através dela.
Um café, um cigarro,
Um suspiro e um pigarro
de quem acabou de acordar
Sou eu olhando de dentro
seu olhar pra fora
É tempo de minuto
transformado em hora
Por não ter pressa pra acabar
seu olhar pra fora
É tempo de minuto
transformado em hora
Por não ter pressa pra acabar
Minha musa inspiradora da manhã
é ela:
A cena d'eu olhando você
acordando
e olhando a janela
é ela:
A cena d'eu olhando você
acordando
e olhando a janela
Maria-vai-com-as-outras
Descobri que queria ser
(D)escritora de cenas
Pintando poemas
Que não saberia desenhar
(D)escritora de cenas
Pintando poemas
Que não saberia desenhar
Tipo a menina que caminhava
Tão pequena, mas tão forte,
Vai sabendo da sorte
que lhe carregava
Por ser livre a beira-mar
Tão pequena, mas tão forte,
Vai sabendo da sorte
que lhe carregava
Por ser livre a beira-mar
Por isso ela não vai sozinha:
Lhe acompanham 3 cachorrinhas
que tão livres quanto,
poderiam estar
em qualquer outro lugar.
Lhe acompanham 3 cachorrinhas
que tão livres quanto,
poderiam estar
em qualquer outro lugar.
No fim da noite, vão as 4 meninas
verdadeiras amigas,
felizes e protegidas
porque assim decidiram estar.
verdadeiras amigas,
felizes e protegidas
porque assim decidiram estar.
Essa menina uma vez,
Veio me dizer de um tristeza
Profunda e certeira
que insistia em lhe acompanhar.
Veio me dizer de um tristeza
Profunda e certeira
que insistia em lhe acompanhar.
Mas eu só a vi com boas companhias,
Lindas, com muita firmeza
E uma dose maior de leveza
naquela noite sem luar.
Lindas, com muita firmeza
E uma dose maior de leveza
naquela noite sem luar.
Vi um montão de boniteza
Caminhando com uma certa incerteza
de quem sabe sim,
onde quer chegar.
Mas que pode acabar parando
Ela e quem mais estiver acompanhando
No centro final
de um qualquer lugar.
Caminhando com uma certa incerteza
de quem sabe sim,
onde quer chegar.
Mas que pode acabar parando
Ela e quem mais estiver acompanhando
No centro final
de um qualquer lugar.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Filosofia da Saudade
A saudade sempre esteve na minha vida, com tantas cores e formas...
E eu a senti muito presente, às vezes conhecendo até um novo lado dela, percebendo que já sentia esse novo tipo de saudade há muito tempo, só não sabia que nome dar.
Há a saudade clássica, de quem se foi, dividida em duas categorias: a mais doída, de quem se foi pra nunca mais voltar e aquela que acompanha a expectativa do reencontro.
Há a saudade de um tempo bom, e até de coisas pelas quais se tinha carinho, que marcam esses tais tempos bons.
Ainda, saudades muitas vezes difíceis de assimilar e nomear, mas algo como a saudade daquele momento perdido, a saudade de tudo o que eu não vivi, a saudade dos lugares que eu ainda não visitei - até porque não só porque eu nunca tive que eu não vou sentir a dor da perda, ora!
Em 2013 eu vivi aquilo que chamei de 'saudade coletiva': é quando quem está longe é você, portanto sente saudade de tudo e todos, quando morei em Portugal por 6 meses. Lá conheci gente do mundo inteiro e conversei muito sobre saudade. Era um sentimento que estava sempre por perto naquele momento. Me impressionava o fato de que as pessoas que não falavam português não tinham em seu vocabulário a palavra saudade. Tinham expressões próximas para alcançar esse sentimento: 'Tu me manques", "Nostalgique", "Te extraño", ou "I miss you". Literalmente essas palavras remetem mais ao sentimento da nostalgia, ou do 'sinto sua falta'. E eu tentava explicar: "Nostalgia não é saudade."; "Sinto sua falta não é saudade"!
Brincava comigo mesma dizendo: 'saudade é coisa de brasileiro mesmo'.
Claro que os estrangeiros sentem saudade e tem recursos próprios para expressar esse sentimento. Mas foi impossível não vincular a 'saudade' à uma característica típica da cultura brasileira - molda e é moldada por ela.
Fiquei tão curiosa sobre o fato que voltei determinada a estuda a saudade. Fazer um artigo sobre. Cheguei até a tentar pesquisar e catalogar quantas músicas brasileiras trazem o verbete em alguma estrofe. Sem êxito na missão, larguei pra lá: Mas posso dizer, com segurança que são muitas! E até hoje, pelo que já vi e vivi, ninguém vive a saudade como nós, povo tupiniquim. Nunca fiz uma pesquisa sobre - e ainda bem que isso não é um artigo científico -, mas sei. Sei e sinto.
Acontece que a saudade é um sentimento misto por excelência. Mistura o doce e o amargo, o amor e a distância. É o sentimento híbrido de nostalgia e esperança que preenche um coração marcado pela falta. Talvez seja por isso então que a saudade combina tanto com o povo brasileiro: Somos um povo misto de nascença!
Sentimento também marcado pela temporalidade, nessa mistura que é só dele. É um sentimento do instante presente que, no entanto, só existe pelas marcas do passado. Se considerarmos ainda a esperança do reencontro que esse carrega, temos o tempo futuro evocado pela saudade, sensação forte e nem tão fácil de entender.
Talvez seja por isso que a saudade me venha como um sentimento tão confortável, apesar das dores que já me causou. Por me confortar nesse processo de ser em transformação que somos todos, mas que me alcança com mais intensidade, por ser alguém que busca essa transformação. Nessa natureza viajante que não consigo abandonar, de metamorfose ambulante, que eu prefiro ser (como diria o Raul)
Foi essa mistura doida e intensa que me atingiu ontem. Vivenciando mais uma vez a saudade coletiva, longe de tantos que amo e tantas experiências que amei ter vivido, recebi um presente sem preço! Meio presente, meio passado e muito futuro! Pelo menos foi o que disse meu grande amigo, companheiro e namorado Marcelão, quando explicou o objetivo desse presente: ter fé no futuro e em coisas sempre melhores, que com certeza virão. Para nós. Bonito e complexo como a saudade, esse presente de fato deu fé: fé no passado, de como todos esses amores que me trouxeram até aqui me fortalecem e me dão a certeza de que tudo valeu a pena. Me fez ter fé no presente, por me ver extremamente grata, de ser quem eu sou, de estar onde estou e de não faltar ninguém: estar com alguém que além de ombro-amigo e porto-seguro, consegue compreender a boniteza e a complexidade disso tudo; e me faz uma surpresa dessas!
Surpresa que me faz olhar pra frente, depois de várias espiadas no passado, na certeza de que sim, o futuro carrega pra mim, o melhor da vida. Afinal, se tudo o que eu tenho é resultado do que plantei no passado, vejo o ciclo me permitindo, no futuro, um tempo de gratidão por esse presente que ainda não passou; Sementinha de coisas boas que planto enquanto me satisfaço com a fartura da colheita de agora, de tantas sementes já cultivadas.
Um milhão de obrigadas a quem fez parte disso, todo mundo que mandou alguma coisa, mesmo que tenha sido em formato de bons pensamentos, porque o tempo às vezes trai a gente!. E um agradecimento ainda mais especial à semente que, mal plantei e já me rende os melhores frutos, brincando de ser essa ponte linda entre minhas saudades, alegrias e esperanças; entre as conquistas do passado, as emoções do agora e as esperanças pro futuro!
Gratidão povo, gratidão mundo! Gratidão eterna!
E eu a senti muito presente, às vezes conhecendo até um novo lado dela, percebendo que já sentia esse novo tipo de saudade há muito tempo, só não sabia que nome dar.
Há a saudade clássica, de quem se foi, dividida em duas categorias: a mais doída, de quem se foi pra nunca mais voltar e aquela que acompanha a expectativa do reencontro.
Há a saudade de um tempo bom, e até de coisas pelas quais se tinha carinho, que marcam esses tais tempos bons.
Ainda, saudades muitas vezes difíceis de assimilar e nomear, mas algo como a saudade daquele momento perdido, a saudade de tudo o que eu não vivi, a saudade dos lugares que eu ainda não visitei - até porque não só porque eu nunca tive que eu não vou sentir a dor da perda, ora!
Em 2013 eu vivi aquilo que chamei de 'saudade coletiva': é quando quem está longe é você, portanto sente saudade de tudo e todos, quando morei em Portugal por 6 meses. Lá conheci gente do mundo inteiro e conversei muito sobre saudade. Era um sentimento que estava sempre por perto naquele momento. Me impressionava o fato de que as pessoas que não falavam português não tinham em seu vocabulário a palavra saudade. Tinham expressões próximas para alcançar esse sentimento: 'Tu me manques", "Nostalgique", "Te extraño", ou "I miss you". Literalmente essas palavras remetem mais ao sentimento da nostalgia, ou do 'sinto sua falta'. E eu tentava explicar: "Nostalgia não é saudade."; "Sinto sua falta não é saudade"!
Brincava comigo mesma dizendo: 'saudade é coisa de brasileiro mesmo'.
Claro que os estrangeiros sentem saudade e tem recursos próprios para expressar esse sentimento. Mas foi impossível não vincular a 'saudade' à uma característica típica da cultura brasileira - molda e é moldada por ela.
Fiquei tão curiosa sobre o fato que voltei determinada a estuda a saudade. Fazer um artigo sobre. Cheguei até a tentar pesquisar e catalogar quantas músicas brasileiras trazem o verbete em alguma estrofe. Sem êxito na missão, larguei pra lá: Mas posso dizer, com segurança que são muitas! E até hoje, pelo que já vi e vivi, ninguém vive a saudade como nós, povo tupiniquim. Nunca fiz uma pesquisa sobre - e ainda bem que isso não é um artigo científico -, mas sei. Sei e sinto.
Acontece que a saudade é um sentimento misto por excelência. Mistura o doce e o amargo, o amor e a distância. É o sentimento híbrido de nostalgia e esperança que preenche um coração marcado pela falta. Talvez seja por isso então que a saudade combina tanto com o povo brasileiro: Somos um povo misto de nascença!
Sentimento também marcado pela temporalidade, nessa mistura que é só dele. É um sentimento do instante presente que, no entanto, só existe pelas marcas do passado. Se considerarmos ainda a esperança do reencontro que esse carrega, temos o tempo futuro evocado pela saudade, sensação forte e nem tão fácil de entender.
Talvez seja por isso que a saudade me venha como um sentimento tão confortável, apesar das dores que já me causou. Por me confortar nesse processo de ser em transformação que somos todos, mas que me alcança com mais intensidade, por ser alguém que busca essa transformação. Nessa natureza viajante que não consigo abandonar, de metamorfose ambulante, que eu prefiro ser (como diria o Raul)
Foi essa mistura doida e intensa que me atingiu ontem. Vivenciando mais uma vez a saudade coletiva, longe de tantos que amo e tantas experiências que amei ter vivido, recebi um presente sem preço! Meio presente, meio passado e muito futuro! Pelo menos foi o que disse meu grande amigo, companheiro e namorado Marcelão, quando explicou o objetivo desse presente: ter fé no futuro e em coisas sempre melhores, que com certeza virão. Para nós. Bonito e complexo como a saudade, esse presente de fato deu fé: fé no passado, de como todos esses amores que me trouxeram até aqui me fortalecem e me dão a certeza de que tudo valeu a pena. Me fez ter fé no presente, por me ver extremamente grata, de ser quem eu sou, de estar onde estou e de não faltar ninguém: estar com alguém que além de ombro-amigo e porto-seguro, consegue compreender a boniteza e a complexidade disso tudo; e me faz uma surpresa dessas!
Surpresa que me faz olhar pra frente, depois de várias espiadas no passado, na certeza de que sim, o futuro carrega pra mim, o melhor da vida. Afinal, se tudo o que eu tenho é resultado do que plantei no passado, vejo o ciclo me permitindo, no futuro, um tempo de gratidão por esse presente que ainda não passou; Sementinha de coisas boas que planto enquanto me satisfaço com a fartura da colheita de agora, de tantas sementes já cultivadas.
Um milhão de obrigadas a quem fez parte disso, todo mundo que mandou alguma coisa, mesmo que tenha sido em formato de bons pensamentos, porque o tempo às vezes trai a gente!. E um agradecimento ainda mais especial à semente que, mal plantei e já me rende os melhores frutos, brincando de ser essa ponte linda entre minhas saudades, alegrias e esperanças; entre as conquistas do passado, as emoções do agora e as esperanças pro futuro!
Gratidão povo, gratidão mundo! Gratidão eterna!
sábado, 15 de novembro de 2014
Mono(tonia)(grafia)
Pra mim, já começa errado com o nome.
Eu sou super desconfiada das palavras que começam com mono. Eu tenho a impressão de que todas elas são chatas: monopólio, monocelha, mononucleose (que eu não sei o que é, mas parece uma doença bem chata), monótono, monocultura.
Mas o pior não é nem o pré-conceito nominal, é o pós.
Chamar de monografia, de um, e depois, ainda chamar de meu, me soa bem hipócrita. Se eu não posso falar 2 parágrafos sem citar alguém, como eu posso chamar esse trabalho de meu - e o pior - de exclusivamente meu?
E aí vai eu, fingindo ser eu, pseudo-sendo-citando esse tanto de gente que eu nunca vi mais gorda, que eu nunca olhei nos olhos e troquei uma ideia. Tá, eu posso até concordar com as afirmações de TAL, etc. e; mas eu nunca vou saber o que eles tavam pensando quando chegaram naquela conclusão, porque eles decidiram estudar aquele tema e se eles se sentiram hipócrita como eu, escrevendo aquele livro/artigo.
E o pior vem depois. Pra mim, o pior MESMO é continuar chamando de monografia, enquanto calo as milhões de vozes que gritam dentro de mim. Vozes de pessoas que - aí sim - eu já vi mais gorda, mais magra, já olhei nos olhos e troquei infinitas ideias. Pessoas que estão tão dentro de mim que vão sair em cada verbo que eu ousar fazer ou conjugar e que eu não só não posso dar crédito como tenho que fingir que não estão ali.
São essas pessoas que estiveram comigo - mesmo que não saibam - em cada fase boa ou ruim da minha trajetória e que fizeram valer a pena. São essas pessoas que sonharam comigo um mundo melhor e diferente e são delas que eu lembro com dor quando penso que não vou fazer nenhum dos dois com essa monografeia. São essas pessoas que eu queria carregar numa foto de bolso e mostrar todas as vezes que alguém me pedir meu diploma (que eu nem sei se vai servir pra alguma coisa pra mim no fim das contas). São essas pessoas que eu carrego com o orgulho do sucesso conquistado.
Me pergunto se essas pessoas também não carregam essa frustração burocrática também. E se carregam, o que é que elas fazem com isso?
Meu mochilão parecia pesar muito menos. E eu me pergunto se algum dia vou conseguir me despir de todo esse peso pra carregar só ele mais uma vez que seja.
Me pergunto se vou voltar a ver o brilho dos olhos dos seres depois de ter as vistas quase que cegadas por 6 meses diretos de um brilho artificial da tela do computador. É, desse mesmo brilho que vos fala agora.
Me dói cada palavra escrita em que não me encontro, cada expressão que não me representa e muito menos me expressa. E dor essa que me imponho pra conseguir formar. Pra conseguir caber num fôrma que não me cabe e que eu nunca quis, por querer sempre ser maior que os limites que os outros me propõe.
Me limito sem limites no momento. Limito meu tempo, limito meu sono, limito cada passo, cada cerveja, cada distração. Limito cada sentimento e limito até os limites pra não pirar e, com isso, correr o risco de não me impor mais limite nenhum.
O único sentimento que eu tenho é um vazio calculado pra não sentir antes do tempo certo. A academia nunca acreditou na emoção mesmo e eu não sinto nem mais o processo de racionalizar mais sobre o que eu sinto. Se sentir é perigoso, viver é ainda mais, já diria ROSA, Guimarães.
Então não vivo. Porcamente eu sobrevivo. Há em mim algo de não-vida típica do robô que, mais uma vez vos fala e sublinha de vermelho cada palava que eu ouso inventar fora do vocabulário dele.
Postergo a minha felicidade pra quando essa história toda acabar. E seria tranquilo se eu tivesse a certeza de que quando ela acabasse seria mesmo o fim. Fica o pânico de estar sempre postergando essa tal felicidade - pra depois do expediente, pro fim de semana, pras próximas férias, pra aposentadoria.
Me formo uma cientista social con-formada com honra ao mérito, pra desmérito meu. Faço o favor de me adequar ao sistema sem que o sis-tema com a minha presença dentro dele. Implodir, nesse momento, só se for a mim mesma por não aguentar a pressão.
Mas aí vem Durkheim, chama isso de anomia e nem a morte eu tenho de minha mais.
Tenho só a morte lenta do leão de cada dia, a morte sufocada de cada sonho não realizado no período do acordodado. Do acordo que eu nunca fiz, do contrato social que eu não assinei e, cujo social, eu não concordei em burocratizar.
Tenho, enfim, a morte cerebral do eu sentimental que aguarda, em coma, e sem calma, a esperança de voltar a vida quando isso tudo acabar.
Eu sou super desconfiada das palavras que começam com mono. Eu tenho a impressão de que todas elas são chatas: monopólio, monocelha, mononucleose (que eu não sei o que é, mas parece uma doença bem chata), monótono, monocultura.
Mas o pior não é nem o pré-conceito nominal, é o pós.
Chamar de monografia, de um, e depois, ainda chamar de meu, me soa bem hipócrita. Se eu não posso falar 2 parágrafos sem citar alguém, como eu posso chamar esse trabalho de meu - e o pior - de exclusivamente meu?
E aí vai eu, fingindo ser eu, pseudo-sendo-citando esse tanto de gente que eu nunca vi mais gorda, que eu nunca olhei nos olhos e troquei uma ideia. Tá, eu posso até concordar com as afirmações de TAL, etc. e; mas eu nunca vou saber o que eles tavam pensando quando chegaram naquela conclusão, porque eles decidiram estudar aquele tema e se eles se sentiram hipócrita como eu, escrevendo aquele livro/artigo.
E o pior vem depois. Pra mim, o pior MESMO é continuar chamando de monografia, enquanto calo as milhões de vozes que gritam dentro de mim. Vozes de pessoas que - aí sim - eu já vi mais gorda, mais magra, já olhei nos olhos e troquei infinitas ideias. Pessoas que estão tão dentro de mim que vão sair em cada verbo que eu ousar fazer ou conjugar e que eu não só não posso dar crédito como tenho que fingir que não estão ali.
São essas pessoas que estiveram comigo - mesmo que não saibam - em cada fase boa ou ruim da minha trajetória e que fizeram valer a pena. São essas pessoas que sonharam comigo um mundo melhor e diferente e são delas que eu lembro com dor quando penso que não vou fazer nenhum dos dois com essa monografeia. São essas pessoas que eu queria carregar numa foto de bolso e mostrar todas as vezes que alguém me pedir meu diploma (que eu nem sei se vai servir pra alguma coisa pra mim no fim das contas). São essas pessoas que eu carrego com o orgulho do sucesso conquistado.
Me pergunto se essas pessoas também não carregam essa frustração burocrática também. E se carregam, o que é que elas fazem com isso?
Meu mochilão parecia pesar muito menos. E eu me pergunto se algum dia vou conseguir me despir de todo esse peso pra carregar só ele mais uma vez que seja.
Me pergunto se vou voltar a ver o brilho dos olhos dos seres depois de ter as vistas quase que cegadas por 6 meses diretos de um brilho artificial da tela do computador. É, desse mesmo brilho que vos fala agora.
Me dói cada palavra escrita em que não me encontro, cada expressão que não me representa e muito menos me expressa. E dor essa que me imponho pra conseguir formar. Pra conseguir caber num fôrma que não me cabe e que eu nunca quis, por querer sempre ser maior que os limites que os outros me propõe.
Me limito sem limites no momento. Limito meu tempo, limito meu sono, limito cada passo, cada cerveja, cada distração. Limito cada sentimento e limito até os limites pra não pirar e, com isso, correr o risco de não me impor mais limite nenhum.
O único sentimento que eu tenho é um vazio calculado pra não sentir antes do tempo certo. A academia nunca acreditou na emoção mesmo e eu não sinto nem mais o processo de racionalizar mais sobre o que eu sinto. Se sentir é perigoso, viver é ainda mais, já diria ROSA, Guimarães.
Então não vivo. Porcamente eu sobrevivo. Há em mim algo de não-vida típica do robô que, mais uma vez vos fala e sublinha de vermelho cada palava que eu ouso inventar fora do vocabulário dele.
Postergo a minha felicidade pra quando essa história toda acabar. E seria tranquilo se eu tivesse a certeza de que quando ela acabasse seria mesmo o fim. Fica o pânico de estar sempre postergando essa tal felicidade - pra depois do expediente, pro fim de semana, pras próximas férias, pra aposentadoria.
Me formo uma cientista social con-formada com honra ao mérito, pra desmérito meu. Faço o favor de me adequar ao sistema sem que o sis-tema com a minha presença dentro dele. Implodir, nesse momento, só se for a mim mesma por não aguentar a pressão.
Mas aí vem Durkheim, chama isso de anomia e nem a morte eu tenho de minha mais.
Tenho só a morte lenta do leão de cada dia, a morte sufocada de cada sonho não realizado no período do acordodado. Do acordo que eu nunca fiz, do contrato social que eu não assinei e, cujo social, eu não concordei em burocratizar.
Tenho, enfim, a morte cerebral do eu sentimental que aguarda, em coma, e sem calma, a esperança de voltar a vida quando isso tudo acabar.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Pra ser Ipê
No trânsito do dias-há-dias é o Ipê-amarelo que tem florido meus dias pelo caminho, me lembrando que tem algo de cor entre o cinza da cidade.
É ela também que tem me feito pensar sobre muitas coisas, e é também por isso que escrevo.
Em primeiro lugar, por ser amarelo. A cor amarela, ao mesmo tempo que representa energia e vitalidade, é a cor que representa "atenção" no sinal de trânsito. O estudo das cores também alerta para que o excesso de amarelo pode causar distração e ansiedade.
Sempre associei a minha personalidade cores alegres como o vermelho, o laranja e o amarelo. E ultimamente tenho sentido muitas dificuldades de repensar o excesso do amarelo na minha vida e tentar trazê-lo para o signo da atenção. Do ato de desacelerar.
Além disso, estou tentando ser Ipê. Ipê é uma árvore e, como tal, é fixa. É da natureza da árvore ficar no mesmo lugar toda a sua vida e, mesmo assim, florescer e se perpetuar. Essa sou eu tentando encontrar dentro de mim mesma a minha parte árvore e procurar florescer mesmo estando estagnada no mesmo lugar enquanto é tempo de estar assim.
Mas, mais do que isso tudo, tenho tentado ser Ipê, por sua característica especial (e, porque não, seu charme). Ela tem tempos distintos. Para o Ipê, há tempo de folha, há tempo de flor e há tempo de seca, em que só se vê no Ipê galhos tortos e secos. Tenho tentado olhar pro Ipê e saber que, para além desse tempo estranho que eu venho vivendo, há em mim, em algum momento passado e futuro, o meu tempo de florescer.
Quem é brasileiro e conhece o Ipê desde pequeno sabe que, na época certa aquela árvore feia e sem-graça vai ser só flor e só cor e todo mundo por aqui ama o Ipê. E, ultimamente tenho agradecido ao universo a sorte de ter por perto (ainda que seja um perto de um oceano de distância) pessoas que se esforçam pra me convencer que, como um ipê, eu vou florescer de novo,na primavera seguinte, mesmo me sentindo seca e torta no momento.
Em primeiro lugar, por ser amarelo. A cor amarela, ao mesmo tempo que representa energia e vitalidade, é a cor que representa "atenção" no sinal de trânsito. O estudo das cores também alerta para que o excesso de amarelo pode causar distração e ansiedade.
Sempre associei a minha personalidade cores alegres como o vermelho, o laranja e o amarelo. E ultimamente tenho sentido muitas dificuldades de repensar o excesso do amarelo na minha vida e tentar trazê-lo para o signo da atenção. Do ato de desacelerar.
Além disso, estou tentando ser Ipê. Ipê é uma árvore e, como tal, é fixa. É da natureza da árvore ficar no mesmo lugar toda a sua vida e, mesmo assim, florescer e se perpetuar. Essa sou eu tentando encontrar dentro de mim mesma a minha parte árvore e procurar florescer mesmo estando estagnada no mesmo lugar enquanto é tempo de estar assim.
Mas, mais do que isso tudo, tenho tentado ser Ipê, por sua característica especial (e, porque não, seu charme). Ela tem tempos distintos. Para o Ipê, há tempo de folha, há tempo de flor e há tempo de seca, em que só se vê no Ipê galhos tortos e secos. Tenho tentado olhar pro Ipê e saber que, para além desse tempo estranho que eu venho vivendo, há em mim, em algum momento passado e futuro, o meu tempo de florescer.
Quem é brasileiro e conhece o Ipê desde pequeno sabe que, na época certa aquela árvore feia e sem-graça vai ser só flor e só cor e todo mundo por aqui ama o Ipê. E, ultimamente tenho agradecido ao universo a sorte de ter por perto (ainda que seja um perto de um oceano de distância) pessoas que se esforçam pra me convencer que, como um ipê, eu vou florescer de novo,na primavera seguinte, mesmo me sentindo seca e torta no momento.
Pra ser Ipê, é preciso saber,
Que equilíbrio não está em ter
Tudo ao mesmo tempo.
Pra ser Ipê, é preciso entender
que há tempo pra plantar
e tempo pra colher.
Ser Ipê é ver,
que é preciso se conhecer
e simplesmente,
ser.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Quem dera ser um peixe
Tem dias que a gente se sente um pedaço de nada.
Dá um vazio, e o peito bate num cansaço arfante de buscar alguma coisa no ar que seja mais que oxigênio.
O desespero de não sentir nada por vezes é mais cruel do que a dor de sentir dor e a gente segue, galgando as esperanças de ser, seja o que for, pra algum dos seus, pra si mesmo.
Ah, ser humano da natureza torta que tem, então no próprio nome a obrigação de ser.
Quem dera ser qualquer outra coisa, pra não ter que ser...
De preferência ser um peixe, pra existir nesse nada-nada
Nada...
Nada.
Nada!
E ir indo por aí, até onde eu quisesse nadar.
Dá um vazio, e o peito bate num cansaço arfante de buscar alguma coisa no ar que seja mais que oxigênio.
O desespero de não sentir nada por vezes é mais cruel do que a dor de sentir dor e a gente segue, galgando as esperanças de ser, seja o que for, pra algum dos seus, pra si mesmo.
Ah, ser humano da natureza torta que tem, então no próprio nome a obrigação de ser.
Quem dera ser qualquer outra coisa, pra não ter que ser...
De preferência ser um peixe, pra existir nesse nada-nada
Nada...
Nada.
Nada!
E ir indo por aí, até onde eu quisesse nadar.
domingo, 23 de março de 2014
Pé de manga
Se eu te contar minha vida debaixo de um pé de manga
A pé de pano
Vou dando pano pra manga
Pra poder te mostrar
Essa ferida que não estanca
Esse meu coração que sangra
Obrigado a desacreditar
Se é assim que a banda toca
Vou fazer a minha dança
Que é pra ver se você se toca
E cola junto na mudança
Pra poder desordenar
E por falar em cola
E em ter que sair da escola
Me explica a matéria de história
Mais parece treta de gente de fora
Que nada tem pra acrescentar
E os moleque que faz as prova
Cheio de história pra contar
Cê vai fingir que ignora
Só porque não cai no vestibular
Pois eu decidi escutar
Fazendo diferente
Eu quis improvisar
E achei que era só gentileza
Mas Paulo Freire chamou de boniteza
E disse que tinha um nome pra dar
Ao direito a não-certeza
Ele chamou de educação popular
E eu, que achei que não tinha nada pra ensinar
No dever de aprender
Compartilhei o meu viver
E quem sabe um dia eu chego lá
Interagindo,
Vou agindo entre os seres
Pelo poder de lutar
Atuando
E compartilhando os saberes
Pelo direito de acreditar
Na transformação
Ponho cor e ação
E pelo sim, pelo não
Vou me agarrando a mão
De quem também sofre
dessa patologia de sonhar
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Reparando
Se você reparar bem, eu sou mulher.
Mas também sou ser humano,
é parceiro, eu sangro.
E não tem essa de talvez,
eu sangro é todo mês.
Como eu tava dizendo pra vocês:
sou mulher.
Sou esse ser que controla a libido.
Esse mesmo do pêlo proibido
e pelo dito, não dito,
assumo, às vezes me inclino
mas não duvido,
e digo de pé:
meu segredo amigo,
é que eu sou mulher.
Sou mulher de família,
mãe, avó e filha,
mas sou mulher de guerrilha,
da luta de todo dia,
pelo direito de não lavar vasilha,
pelo direito de virar poesia.
Mas do jeito que eu quiser,
da poesia que eu fizer,
daquela que diga: hei, sou mulher!
Mas também sou gente.
Pra além do corpo eu também tenho mente
e é mente pensante,
sou mulher militante,
de combate constante,
e vem você, querendo me por no tanque?
Então me põe no tanque de guerra.
Sou bela, sou fera.
Eu sou de luta,
uso roupa curta.
Nem santa, nem puta,
eu sou o que vier.
É, eu sou mulher.
E faço do meu jeito.
Olha no meu olho,
dá descanso pro meu peito.
Deixa que nele eu bato
Deixa que nele eu bato
pra dizer:
sou ser humano nato!
Eu peido, eu trepo e eu cago,
mas não vago.
É que eu morro de medo,
de alguém achar que pode fazer comigo o que quiser,
se descobrir meu segredo,
e reparar que eu sou mulher.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Qualquer maneira de amor vale a pena
E me dói o coração o meu medo de te dizer o fatídico "eu te amo".
E o engraçado é que nem é o medo clássico de amar alguém.
é porque eu amo (você) demais.
Mas tenho medo que esse, em específico soe como se valesse mais do que os outros "eu te amo"(s) que eu espalho por aí;
E o engraçado é que nem é o medo clássico de amar alguém.
é porque eu amo (você) demais.
Mas tenho medo que esse, em específico soe como se valesse mais do que os outros "eu te amo"(s) que eu espalho por aí;
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Purê novo de batatas velhas
É que em tempo de calma,
tempo de maresia.
Nada muda, e não há nada a se fazer.
Nesse arrastar do dia-a-dia,
senão um purê.
Amassar, misturar, o leite jogar.
Para fazer parecer
que tem algo de novo no ar.
E, mesmo com dificuldades se convencer.
Não há outro jeito de viver.
As batatas estão ali há tempo demais.
Mas agora são purê.
tempo de maresia.
Nada muda, e não há nada a se fazer.
Nesse arrastar do dia-a-dia,
senão um purê.
Amassar, misturar, o leite jogar.
Para fazer parecer
que tem algo de novo no ar.
E, mesmo com dificuldades se convencer.
Não há outro jeito de viver.
As batatas estão ali há tempo demais.
Mas agora são purê.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Ah, se eu soubesse
Se eu soubesse que não haveria mais amanhã,
eu teria aproveitado mais hoje.
Não, eu não teria feito você ficar.
eu teria aproveitado mais hoje.
Não, eu não teria feito você ficar.
Mas tiraria a sua bermuda com muito mais mistério.
Com uma lentidão planejada,
de quem quer ver o outro sério.
Com uma lentidão planejada,
de quem quer ver o outro sério.
Se eu soubesse, eu teria me esforçado mais
Não pra você não ir embora,
mas pra fazer aquela canção tocar,
Não pra você não ir embora,
mas pra fazer aquela canção tocar,
enquanto ainda fosse hora,
enquanto minha carruagem não virasse abóbora.
E eu, que princesa nunca fui
ficasse sozinha de novo,
ainda que inteira,
presa num trânsito que não flui.
Se eu soubesse, não te beijaria pra sempre.
Nem teria medo de tudo acabar.
Mas faria durar,
Nem teria medo de tudo acabar.
Mas faria durar,
cada pedra de sal,
cada cheiro e gosto,
cada saborear.
Se eu soubesse hoje,
que não haveria mais amanhã,
eu teria te amado pra sempre.
Ontem.
que não haveria mais amanhã,
eu teria te amado pra sempre.
Ontem.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Canário curumim
A questão é que eu sempre achei que tivesse um problema.
Ideias tortas, insistindo em sair do limiar do sistema.
De repente me senti mais feliz.
Encontrei um monte de gente que diz
que compartilha comigo
essas doideras do mundo.
Essas que parecem mais do submundo,
daquelas que brotam do fundo.
De acreditar num futuro melhor,
de nunca parar de lutar.
De pensar e escolher,
mochila nas costas pra ir viajar,
ao invés de casar,
Mesmo sendo mulher?
Pois é!
Só sei que foi assim,
Me vendo nos outros.
Eu soube muito mais de mim.
Além de pessoas, me vejo nas coisas.
Nas surpresas.
Nos momentos, na natureza.
Por exemplo, esses dias encontrei um canarinho.
Que de quando em vez assobia no meu caminho.
Batendo bicos, uma batucada de bamba,
faz-me crer no meu próprio samba.
Crer que ele não existe só dentro de mim.
Que ele está por aí,
Plantando sementes,
semeadas por um curumim.
Ideias tortas, insistindo em sair do limiar do sistema.
De repente me senti mais feliz.
Encontrei um monte de gente que diz
que compartilha comigo
essas doideras do mundo.
Essas que parecem mais do submundo,
daquelas que brotam do fundo.
De acreditar num futuro melhor,
de nunca parar de lutar.
De pensar e escolher,
mochila nas costas pra ir viajar,
ao invés de casar,
Mesmo sendo mulher?
Pois é!
Só sei que foi assim,
Me vendo nos outros.
Eu soube muito mais de mim.
Além de pessoas, me vejo nas coisas.
Nas surpresas.
Nos momentos, na natureza.
Por exemplo, esses dias encontrei um canarinho.
Que de quando em vez assobia no meu caminho.
Batendo bicos, uma batucada de bamba,
faz-me crer no meu próprio samba.
Crer que ele não existe só dentro de mim.
Que ele está por aí,
Plantando sementes,
semeadas por um curumim.
domingo, 1 de dezembro de 2013
50 km/h
Tão angustiante,
e não sei se todo mundo sente.
um corre-corre constante.
Tentando alcançar um instante
que vive fugindo da gente.
O dia que já clareou, o despertador que já tocou.
Corre, o ônibus da 7 já passou!
Se vou de carro, acelero,
o sinal amarelou.
Ai Meu Deus, que louca vontade
de abandonar o jargão da saudade.
Trocar por um "desce que eu tô te esperando.
pra gente sair por ai, andando."
Cadê aquele tempo bom pro encontro?
Parece que a vida decidiu que é um afronto.
Me determinou a cozinhar com tempero pronto.
E se eu decidisse afrontar a vida?
Parar de correr, no meio da corrida.
O segredo não está nas regras sendo quebradas.
Ultrapassar os limites de uma via rápida.
Se o permitido é 80, fazer 120 não muda nada.
Desafiante mesmo é permitir a demora.
Se permitir não morrer de procurar,
no caso de perder a hora.
Desafiante mesmo é viajar,
sem dia pra voltar,
largar tudo pra lá.
Ir cheirar flores mundo afora.
Nessa mesma via rápida,
a 50 quilômetros por hora.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Tipo eu.
Se existem vários tipos de mulheres,
eu gosto daquelas que não encaixam em nenhum tipo.
Que não gostam de fazer tipinho.
Eu gosto daquele tipo que dá no primeiro encontro,
e no último.
E, tipo...
eu gosto daquelas que não encaixam em nenhum tipo.
Que não gostam de fazer tipinho.
Eu gosto daquele tipo que dá no primeiro encontro,
e no último.
E, tipo...
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Desculpem o desabafo, mas meu gato morreu.
E, eis me aqui diante de um espaço branco, cheio de potencial, me
desafiando cruelmente, porque eu sei que não vou conseguir preenche-lo.
Eu não digito tão rápido, eu nem tenho tantas palavras pra expressar o que eu tô sentindo.
Pra ser mais do que sincera, eu nem sei bem o que eu tô sentindo.
Eu não digito tão rápido, eu nem tenho tantas palavras pra expressar o que eu tô sentindo.
Pra ser mais do que sincera, eu nem sei bem o que eu tô sentindo.
Mas eu sei que eu tô sentindo.
E tô sentindo muito.
Doendo, martelando.
Meu coração, tá levando a sério demais a história de bater, ele tá me espancando. De dentro pra fora.
E tô sentindo muito.
Doendo, martelando.
Meu coração, tá levando a sério demais a história de bater, ele tá me espancando. De dentro pra fora.
E eu não sei porquê.
aaah, mas que mentira. Eu sei exatamente o porque. Eu sempre soube.
mas as pessoas não sabem. E se eu contar, ninguém acredita.
Eu tô indignada. Eu tô revoltada. Eu tô presa na situação de não poder fazer nada.
Por tudo, por tanta coisa.
aaah, mas que mentira. Eu sei exatamente o porque. Eu sempre soube.
mas as pessoas não sabem. E se eu contar, ninguém acredita.
Eu tô indignada. Eu tô revoltada. Eu tô presa na situação de não poder fazer nada.
Por tudo, por tanta coisa.
Machismo, violência, racismo.
Nossos jovens, o 'futuro do Brasil', tá sendo morto, de várias maneiras porque tem gente que prefere que eles fiquem no passado.
A não ser que sejam nossos meninos brancos, cheios de potencial pra comprar um carro de luxo pra ficar preso no trânsito antes de chegar na empresa em que é bem sucedido. O ar condicionado, condiciona. E aí, tudo fica melhor.
Mas às vezes acho que ninguém pararia a rotina louca do dia-a-dia pra me dar um colo preu chorar por todas essas coisas que são tão erradas.
Isso é o que parece o mais errado de tudo.
E, como as lágrimas não param de brotar, eu fico tentando rondar todos os meus motivos, pra ver se eu encontro algum justo o suficiente, pra fazer valer a minha depressão. A relação com meus pais não anda tão mal assim, pra justificar um ponto que eu chamaria pré-desespero.
Eu não tenho coragem de inventar um amor mal correspondido.
E não posso por a culpa em nenhum amigo, falando que a gente brigou.
Meus avós morreram há tempo demais preu estar chorando de saudades.
E eu aqui, querendo só uma legitimidade pra chorar.
Chorar de soluçar.
então, que me desculpem os amantes de animais, mais eu decidi matar o meu gato.
E toda vez que vocês me virem chorando eu vou falar que foi isso, que meu gato morreu. Eu sei que, me conhecendo bem como vocês me conhecem, vão dizer:
"Mas Fernanda, você não tem gato."
E eu só vou conseguir responder...
"Nem nunca vou ter. Dói demais quando eles morrem."
Nossos jovens, o 'futuro do Brasil', tá sendo morto, de várias maneiras porque tem gente que prefere que eles fiquem no passado.
A não ser que sejam nossos meninos brancos, cheios de potencial pra comprar um carro de luxo pra ficar preso no trânsito antes de chegar na empresa em que é bem sucedido. O ar condicionado, condiciona. E aí, tudo fica melhor.
Mas às vezes acho que ninguém pararia a rotina louca do dia-a-dia pra me dar um colo preu chorar por todas essas coisas que são tão erradas.
Isso é o que parece o mais errado de tudo.
E, como as lágrimas não param de brotar, eu fico tentando rondar todos os meus motivos, pra ver se eu encontro algum justo o suficiente, pra fazer valer a minha depressão. A relação com meus pais não anda tão mal assim, pra justificar um ponto que eu chamaria pré-desespero.
Eu não tenho coragem de inventar um amor mal correspondido.
E não posso por a culpa em nenhum amigo, falando que a gente brigou.
Meus avós morreram há tempo demais preu estar chorando de saudades.
E eu aqui, querendo só uma legitimidade pra chorar.
Chorar de soluçar.
então, que me desculpem os amantes de animais, mais eu decidi matar o meu gato.
E toda vez que vocês me virem chorando eu vou falar que foi isso, que meu gato morreu. Eu sei que, me conhecendo bem como vocês me conhecem, vão dizer:
"Mas Fernanda, você não tem gato."
E eu só vou conseguir responder...
"Nem nunca vou ter. Dói demais quando eles morrem."
sábado, 7 de setembro de 2013
Porcos decapitados
Em algum lugar desse Brasil maravilhoso e cruel existem vários porcos decapitados.
Só que esses se esqueceram de morrer.
Eles ficam por aí, rondando, sangrando, fétidos, se esfregando em quem passa e esfregando na cara de quem passa que a vida não dá pra ser boa pra todo mundo.
É horrível. É a versão material da metáfora da desgraça. É um mau-agouro de um tempo que já chegou.
E que não perdoa.
Caiu no meu colo a cabeça de um desses tantos porcos. Eu quis fugir, correndo, mas eu só consegui devorá-la e carregá-la debaixo do braço, pra cima e pra baixo.
Alguma coisa dentro de mim parecia querer que todo esse esforço, fosse ajudar esses porcos. Não salvá-los, porque isso parece impossível, mas pelo menos ajudá-los a morrer em paz.
Mas é claro que isso não iria acontecer.
Só que eu continuava a me agarra àquela cabeça, como se ela fosse um salva-vidas.
Carregá-la, surpreendentemente, era menos dolorida do que esquecer que esses porcos existem.
ou sei lá, ter que fingir que eles não existem, para conseguir sobreviver em paz.
Só que esses se esqueceram de morrer.
Eles ficam por aí, rondando, sangrando, fétidos, se esfregando em quem passa e esfregando na cara de quem passa que a vida não dá pra ser boa pra todo mundo.
É horrível. É a versão material da metáfora da desgraça. É um mau-agouro de um tempo que já chegou.
E que não perdoa.
Caiu no meu colo a cabeça de um desses tantos porcos. Eu quis fugir, correndo, mas eu só consegui devorá-la e carregá-la debaixo do braço, pra cima e pra baixo.
Alguma coisa dentro de mim parecia querer que todo esse esforço, fosse ajudar esses porcos. Não salvá-los, porque isso parece impossível, mas pelo menos ajudá-los a morrer em paz.
Mas é claro que isso não iria acontecer.
Só que eu continuava a me agarra àquela cabeça, como se ela fosse um salva-vidas.
Carregá-la, surpreendentemente, era menos dolorida do que esquecer que esses porcos existem.
ou sei lá, ter que fingir que eles não existem, para conseguir sobreviver em paz.
Meia-noite em Paris
Entre o pôr-do-Sol e a Torre Eiffel se acendendo, tudo ficou bonito demais.
Aquela hora eles queriam ficar ali para sempre, mesmo que o corpo cansado ficasse gritando ao subconsciente que: "não, pelo amor de Deus, vamos embora!"
Com a noite, veio o frio.
"Vamos embora?", - ela pediu.
Ele confirmou com a cabeça, sem tirar os olhos delas.
Dela e da torre.
Ela percebeu que ele queria ficar mais e não insistiu por alguns minutos.
Até a chuva começar.
E a Torre começar a piscar, toda iluminada.
Estavam ambos extremamente cansados. A fome era implacável, mas naquela noite, teriam que matá-la dormindo.
Poucas coisas eram sem preço, como aquele momento. E o dinheiro estava no fim.
A chuva era fria e constante. Mas, entre todas as intemperes, nem foi tão difícil assim fazer disso um momento romântico.
E eles se abraçaram,
e se beijaram.
E eles se amaram como nunca,
como sempre.
Aquela hora eles queriam ficar ali para sempre, mesmo que o corpo cansado ficasse gritando ao subconsciente que: "não, pelo amor de Deus, vamos embora!"
Com a noite, veio o frio.
"Vamos embora?", - ela pediu.
Ele confirmou com a cabeça, sem tirar os olhos delas.
Dela e da torre.
Ela percebeu que ele queria ficar mais e não insistiu por alguns minutos.
Até a chuva começar.
E a Torre começar a piscar, toda iluminada.
Estavam ambos extremamente cansados. A fome era implacável, mas naquela noite, teriam que matá-la dormindo.
Poucas coisas eram sem preço, como aquele momento. E o dinheiro estava no fim.
A chuva era fria e constante. Mas, entre todas as intemperes, nem foi tão difícil assim fazer disso um momento romântico.
E eles se abraçaram,
e se beijaram.
E eles se amaram como nunca,
como sempre.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Ecrã
Não é que nosso amor morreu.
Pra ser sincera, não acho nem que diminuiu.
É só que as nossas rotinas não encontram mais a mesma rota.
É só que, entre tantas novidades, a certeza de ter você sempre ali me fez descuidar do nosso amor, já tão bem construído.
A bem da verdade, acho mesmo que a culpa não é minha nem sua.
É do 'todo mundo', que crê e quer nos fazer crer que pra se amar algo novo, é preciso chamar aquele outro amor de velho e então, é preciso jogá-lo fora.
Ah, que mentira!
Lembro naquela noite que, mesmo embriagada de tantos novos amores, subi as escadas e vi você no andar debaixo, pelo ecrã da câmera de segurança.
Por ela, preta e branca, sem som, sua imagem não tinha cheiro, não tinha boa definição, nem seu rosto eu podia ver.
Mas não havia dúvida.
Mais ninguém era capaz de dançar daquele jeito, a balançar meu coração.
E eu amei a certeza de que era você
E a certeza de que eu amo amar você.
Pra ser sincera, não acho nem que diminuiu.
É só que as nossas rotinas não encontram mais a mesma rota.
É só que, entre tantas novidades, a certeza de ter você sempre ali me fez descuidar do nosso amor, já tão bem construído.
A bem da verdade, acho mesmo que a culpa não é minha nem sua.
É do 'todo mundo', que crê e quer nos fazer crer que pra se amar algo novo, é preciso chamar aquele outro amor de velho e então, é preciso jogá-lo fora.
Ah, que mentira!
Lembro naquela noite que, mesmo embriagada de tantos novos amores, subi as escadas e vi você no andar debaixo, pelo ecrã da câmera de segurança.
Por ela, preta e branca, sem som, sua imagem não tinha cheiro, não tinha boa definição, nem seu rosto eu podia ver.
Mas não havia dúvida.
Mais ninguém era capaz de dançar daquele jeito, a balançar meu coração.
E eu amei a certeza de que era você
E a certeza de que eu amo amar você.
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