sexta-feira, 4 de junho de 2010

Tic-Tac segundo(s)

O tempo é pouco, o tempo é louco
O tempo é único
O um que não é nenhum, que
não é ninguém.

O tempo queria tanto ser alguém
Por isso que ele nos castiga:
Porque nós somos.
Ou fomos, ou seremos.

O tempo nos ilude, nos engana;
Nos mata na cama
Enquanto o matamos
Nesse velho ato de sonhar

Ele nos contradiz, não pode nos ver feliz
que se embala no seu passe
e até repasse
Se o ser for aprendiz.

Mas se a situação não é igual
e eu nem quero contar;
Se a gente tá mal,
Ele fica fingindo que esqueceu de passar.

O tempo não é relativo
É imperativo, impetuoso.
O tempo é nervoso.
É imedível e imprevisível
é a priori.

O tempo até parece um cara que sabe o que quer
Mas que esqueceu de cntar até para si
o que é que é.

O tempo é maluco,
o tempo é insano.
Insiste em contar em segundos
Aquilo que vivemos em anos.

Quando criança eu queria brincar com o tempo,
e ele até que brincava comigo.
Mas hoje eu vejo que até nessa época ele era meu inimigo;

Se não o fosse, porque passaria
assim, rápido demais?
Mas calma tempo, vamos ficar em paz.
Eu sei que você é especial.
Apesar de me fazer viver essa loucura temporal...

Aprendi, tempo, que você tem seu próprio tempo;
e se insistir não adianta;
o melhor é esperar.
Pra conseguir sobreviver nessa luta
E nesse
eterno
perene
finito
E insondável
Não-estar
Bem-estar
Mal-estar
Bem-ficar.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Arco-iris em frangalhos

- Ei, Stuart!
- Ei, Paul. É Paul mesmo não é?
- Sim. Qual é o nome do livro que você citou na aula esses dias mesmo?
- A Ira dos Anjos. É realmente bom.
- Ok, obrigado.
- Achei que ninguém tinha prestado atenção no que eu disse...
- Eu sempre presto atenção no que você diz. Até demais! Mas agora isso vai mudar, isso tem que mudar. Tchau.
- Ei, espera. Do que você está falando?
- Estou falando que te amo. E que cansei de viver essa mentira. Cansei de escolher as melhores roupas pra vir nas aulas em que você está e você nem saber meu nome direito. Peço desculpas por chegar assim e te falar essas coisas do nada, mas já tentei te esquecer antes e assim, como simples decisão já vi que não dá. Eu tinha que te falar isso ou ia pirar nessa história de te querer calado.
- Mas como assim?! Eu nem sabia da sua opção sexual.
- Pois agora sabe, e não faz a menor diferença. Eu também não sabia até te ver, ouvir você falando e te imaginar a cada segundo proibido. Vou atrás de quem me queira. E vou aprender a querer essa pessoa também, pra conseguir assassinar cada suspiro doloroso que você me causa.
- Caramba, mas isso nunca aconteceu comigo, nem sei o que dizer. Porque você não se declarou antes de simplesmente desisitir?
- Eu teria alguma chance?
Ele simplesmente abaixou a cabeça envergonhado. Não era preciso dizer mais nada.
- Pois então. Não se preocupe em dizer nada, não te culpo nem um pouco. Eu sei o quanto você é lindo e interessante e parece saber de tudo, enquanto eu sou só mais um. E não vou ficar aqui me lamentando com essa historinha de que você é o máximo e eu não. A gente nunca daria certo. E é melhor que não precisemos nem tentar pra ter certeza, pra podermos conviver com a ilusão do 'quem sabe'. Vou me virar agora, pronto pra te esquecer. Vou achar alguém, vou parar de olhar seu orkut e obrigar meus lábios a não sorrirem quando imaginar você. Anda vou olhar pra você durante a aula inteira, mas como você agora sabe, quando você retornar o olhar eu desviarei. E assim será mais fácil. O amor eu acho que nunca terá fim. Mas essa fissura tem que passar. Adeus!
Respirou fundo. Mais fundo que seu pulmão aguentava, o que o fez tossir e aumentou a quantidade de lágrimas nos seus olhos. Virou-se e quis correr, mas se arrastou até a escada.
O outro permaneceu ali abobalhado. O que acontecera seria ridículo se não fosse tão sério. Nunca tivera uma experiência tão intensa e verdadeira na vida. E isso mudava tudo.
Mesmo que não mudasse nada.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Rótulos

Não me rotule. Eu não sou igual a ninguém.
Muito menos igual àqueles que insistem em querer ser diferentes. Até mesmo, sei lá porque o fazem... Se tem uma coisa em que todos somos iguais é no fato de sermos diferentes.
Apesar de que sempre existem uns que tentam se parecer o máximo possível.
Eu não sou assim.
Eu não sigo modas. Muito menos sou anti-modas!
Não creio no oito nem no oitenta e não sou relativista.
Não sou do pop. Mas gosto dos Beatles e todo mundo gosta dos Beatles.
Não, não sou igual a ninguém. Mas me assemelho a tantos que quase posso dizer todos.
Tenhos medos e amores... Tenho dúvidas, as mais clichês possíveis.
Tenho responsabilidades. Que partem só de mim.
Vão desde as mais comuns até as mais inusitdadas.
Alguns as tem, outros as tem de outras maneiras;
Mas o conjunto, o meu conjunto é meu. E só.
Não sou perfeita. Eu rotulo.
Mas não faça como eu. Apesar de humanos que erram, não somos iguais.
Não me rotule.
Não se reprima.

Se eu fosse me incluir em algum grupo, não me incluiria em nenhum. Prefiro ser nada.
Mas não pense que não sou nada!
Não há maior rotulação que essa.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Bastoso

E, após toda essa crise, vem aquela paz.
Minha alma é como um lago inviolável: às vezes eu cismo de tacar pedras ali sem parar, mas apesar das constantes oscilações, a hora em que a sessão acaba, as ondas se findam e tudo fica em paz.
E não é mais aquela paz sufocante, aquela necessidade de ser livre;
Pra quê enganar-se? Ninguém é livre!
Então, nada melhor que olhar pra trás e admirar, concluir que me prendi as melhores coisas que pude até então.
às vezes as pessoas me fazem sentir como uma estranha por ser diferente, mas nesses momentos de plenitude eu percebo que essa vida minha, fui eu quem construiu. São as minhas escolhas, as minhas verdades, a minha história.
E não há nada que pague tudo isso que eu conquistei com ele ao conquistá-lo.
Tenho tanto ainda pela frente e quero me prender mais! quero viver mais momentos Mágicos, sem ter que me matar de beber, ou dançar, ou rir, ou fazer loucuras insanas o tempo todo para isso.
E fica assim por fim, essa segurança de que não importa o que aconteça, tudo bastará.
E ainda aquela incerteza quase certa de que as coisas tomarão um caminho além disso.
Bem além.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Microconto de verdade (finalmente!)

Ia comprar, mas guardou. Dias depois o mercado entrou em crise.

Tic-Tac

Incrível como o tempo se arrasta quando você está longe!

domingo, 2 de maio de 2010

Tommy

é esse velho sentimento de nada sentir,
somente esse vazio amplo e desesperador.

Essa plenitude em que nada me abala, me dá vontade de gritar para tentar tremular alguma coisa o meu redor.
essa sensação de que por mais que discuta e reflita não falo, não vejo e não escuto.

Estou atrelada/atolada a tudo que me faz feliz. Estou estável.

Não que eu queira mais, eu quero menos.

Euquerianãoquerer.

See me, touch mee, Feel me, heal me.