quinta-feira, 26 de maio de 2011

Alice in Neverland

Ah, não, eu não escrevi errado.
As coisas que estão errado.
Alice foi parar na terra mágica errada.
E não, não é uma mistura de sonhos e magias e belezas.
É um pesadelo.
Ó, bem-vindo ao pesadelo da Alice.
Ou ao pesadelo da Terra do Nunca.
Porque os dois são um. Que deveria ser dois que nada tem de igual.
Mas são um.

Alice aprendeu a voar. E o coelho também.
Mas não, o coelho não deve voar. Ele deve estar atrasado, sempre atrasado.
O gato da Alice me dá medo. E tem 4 garras no lugar das patas.
Isso faz dele um vilão.
E aí meu medo por ele some.
Mas como pode?
Ou como não pode?
Em dois contos de pura fantasia, como pode estar tudo fora do lugar?
Aé, está tudo fora do lugar.

E os personagens das histórias se misturam tentando mostrar onde é o lugar de cada coisa.
Mas a Alice só sabe que nada daquilo faz sentido, porque a única coisa que faria sentido era tudo estar fora do lugar ["Mas fora do lugar em sua respectiva história, Alice." Diz Sininho]

E ela põe as mãos na cabeça e solta um grito rouco e doído e desesperado:
- AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH


A Alice não consegue sonhar, não consegue chegar ao chapeleiro maluco porque ela está perdida. E se fosse o país das Maravilhas ela não estaria perdida.
Mas isso aqui não é o País das Maravilhas.
Isso é a Terra do Nunca.

sábado, 14 de maio de 2011

Jorge

O nome dele é Jorge. Ele é um cara incrível. Tem a ótima/péssima mania de andar. Cruza a cidade de cima abaixo a pé e por vezes viaja entre cidades só assim, andando.
E ninguém consegue entender, como alguém em tempos como o nosso consegue gastar tanto tempo assim andando. São inúmeras obrigações e diversões que ele perde em trânsito.
Mas ele não esconde o segredo dele. Se alguém pergunta porque bulhufas ele gosta tanto de andar ele responde que é mais do que um simples passatempo. É uma filosofia de vida.
"Filosofia de vida? Pfff" dizem os seus e não continuam o assunto.
Se perguntassem que filosofia de vida é essa ele responderia que o segredo está todo no caminho.

"Determinar um objetivo na vida é mais que importante, é fundamental. Mas não é tudo. A maior parte da vida não estamos estabelecendo ou realizando planos, estamos no processo, no meio. Estamos no caminho, entre um sonho e outro. Sendo assim, se considerarmos esse processo apenas uma perda de tempo necessária em função de um objetivo maior perdemos grande parte do que a vida tem pra ensinar. A felicidade enquanto sentimento absoluto não é alcançável, mas ela está presente em pequenos momentos, no dia-a-dia, no trânsito. Só assim podemos ser felizes: observando e aproveitando os pequenos momentos da vida.
É claro que alcançar um objetivo (ou chegar em algum lugar) é ótimo, é o melhor dos sentimentos, mas não dura pra sempre. Então eu aproveito o máximo do intervalo entre eles.
Eu aproveito todos os caminhos."

Jorge é, supostamente, um personagem fictício. Eu pelo menos não o conheço. Se você conhecer, favor apresentar que eu tenho várias coisas a dizer pra ele. "Valeu mesmo!", seria a primeira delas.



Vai ver qual é o caminho que o Hélio escolheu pra falar de caminhos!

sábado, 16 de abril de 2011

Tem dias que a gente se sente...

Como quem partiu ou morreu.
Sem saber até onde a pena que nasce de ti é algo físico, mental ou moral.

Como encarar a tempestade em alto mar quando nunca se nadou sem as velhas bóinhas de braço?
E após aprender, quem é que quer ficar preso às bordas?

É claro, você ama as bordas, mas elas nunca serão como a pizza.
Aquela pizza que você ama, mas que não pode comer. Primeiro porque, mesmo se for o dia da semana que você pode comer carne, você prometeu pra sua mãe que não ia comer fermento por uma semana.

Pegou, levou. É, é assim que tem que ser. Ou não, o que eu vivi ontem já não é mais o hoje de hoje e provavelmente já até deixou de ser o ontem.

Se a maneira como eu me sentia não faz o menor sentido, qual a verdade em continuar sentindo tais coisas, mesmo que não se esteja fingindo o sentimento que já não se tem mais.

E dá um medo, dá aquele medo!
Mas ela é diferente de mim porque o que ela tem todo mundo tem.
Até eu, ou não, mas não é coisa de outro mundo.

O fim chega pra todos, mas a transcendência permanece. Então o fim só existe pra nos dar novos começos.

E um texto que era pra ser completamente confusão e brain storm acabou por ficar otimista.
Porque assim sou eu e isso me dá raiva.
Porque eu estou na pior tempestade de todos os tempos, mas não quero mais as bóinhas de braço, e aí eu fico engolindo água, salgada, me desidratando. só esperando o dia que eu vou aprender a nadar, pra tentar chegar até a costa e tentar conseguir um pouco de água doce.

Tá, tá, às vezes ser otimista é bom.

Mas é que tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.

domingo, 27 de março de 2011

Zapeando

Domingo à noite. Cansaço, preguiça, sofreguidão. Aquela coisa de sempre, de domingo.

Marasmo. Sem amigos, sem família, sem amores. Mas nada de muito dramático, só era domingo, e assim são os domingos.

Cheio de coisas pra fazer pro serviço, alguns hábitos de higiene um pouco abandonados, mas nada iria fazer com que saísse dali. Era aquela conhecida hora da semana de deitar no sofá, meio de lado, e passar pelos canais como se isso fosse ajudar as horas as passarem também.

Pois sim, estava ali a zapear. E eu sempre achei estranha essa palavra, ‘zapear’. Mas mais estranho ainda é existir um verbo para a ação de mofar algumas horas no sofá, sem se mexer e sem assistir nada de verdade. É como existir um verbo para o vazio de domingo que nos faz pensar em todas as coisas que não queremos pensar e nem sabemos bem porque não queremos pensar naquilo.

E é por isso que ficamos a zapear. A programação de domingo já é uma bosta por si só, e quando não se quer pensando em nada então... trocamos de canal como trocamos de pensamentos, mas a diferença é que ainda não inventaram uma televisão que faz aparecer os programas que precisamos assistir para não encontramos com nós mesmos e nossos problemas.

Até porque, voltando à nossa história é domingo. E depois de domingo temos segunda, terça, quarta... E aí vem a sexta, vem o sábado e tudo fica melhor de novo.

Quem quer passar uma semana péssima (quem sabe um mês, ou ano?), cheio de sentimentos angustiantes e pensamentos deprimentes só porque não soube zapear direito?

E no fim das contas as coisas são assim: semana de obrigações, sexta e sábado de curtição e domingo de zapeação. E começa tudo de novo. E de novo. E fora algumas variações e tribulações o tempo corre seguindo essa linha. E eu não estou julgando, nos condicionamos porque é bom, é fácil. E sem querer entrar aqui em divagações sobre o ser fácil e o ser certo, fácil é bom e ninguém pode negar.

Ou não haveria o verbo zapear, nem tantas aplicações para ele.



[Voltei a escrever textos em parceria com Hélio! Vai lá visitar o blog dele vai? http://elho2.wordpress.com/]

terça-feira, 8 de março de 2011

Quando beleza, amor e felicidade são uma coisa só.

Nunca te vi tão linda! E também nunca te vi tão mal arrumada...
Como pode então?
Como é possível definir essa beleza que não vem do cabelo perfeito, das unhas bem feitas, da maquiagem bem desenhada?
É uma força, é um brilho indescritível. Seu sorriso, que tenho no momento só em memória, já que há muito não te vejo é a coisa mais divina que eu já vi.
Acho que é isso: Essa beleza não-convencional é como a beleza da felicidade. É como se eu pudesse ver, na minha frente a personificação da felicidade.
E é tudo tão lindo, é mágico, é divino. Sua segurança, que me surpreendeu se uniu ao amor incondicional que eu já esperava mas que tem outra força quando visto efetivamente, e agora eu me sinto encantada, embriagada, por algo que supera qualquer uma das mais belas obras.

Vi uma foto sua de um ano atrás. E você, bela como sempre, mas uma beleza diferente. Uma beleza comum, que me fez amar ainda mais a beleza que você tem exalado há algumas semanas.

A cena perfeita de você olhando pro seu amor, seu pequeno e indefeso amor mexe comigo e me deixa assim, boba, crente em Deus e esperançosa de que o amor vai mudar o mundo. (E porque não mudaria?)

Você tem um dom. E eu agradeço por poder ver isso tudo de perto, agradeço a Deus por minha afilhada ter tanta sorte em ter você!

Que seu brilho maternal cresça e perpetue, nas primeiras palavras, nos primeiros passos, na primeira prova.

E na segunda, e na terceira.
E para sempre, para todo sempre.


Você sempre foi linda. Mas agora está mais linda do que qualquer coisa que eu já vi!
E eu amo vocês por tudo isso!

sábado, 5 de março de 2011

Solidão e elixir.

Algumas vezes fico imaginando como deve ser ruim a vida de uma pessoa solitária. Olhar para os lados e não ver ninguém deve ser ainda pior que ver um monte de gente que não está nem aí pra nada.
Ter um monte de opções indesejáveis tem que ser melhor do que opção nenhuma.

Né?

Sentar num bar e querer muito pedir aquilo que não está ofertado no cardápio não faz o menor sentido. E é por isso que na maioria das vezes que eu nem quero pedir mais nada.

Que me critiquem os otimistas, mas sobre "Antes um copo meio cheio que um meio vazio", o que eu tenho a dizer é que ou tudo que tenho direito, ou copo nenhum, obrigado.
Pode parecer o orgulho mais puro e odioso, e talvez até seja. Mas é uma sensação muito desagradável experimentar do mais doce elixir numa quantidade que sua sede não será saciada.

"Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só
Não demora eu tô de volta...

Vai ver se eu tô lá na esquina, devo estar...
Já deu minha hora e eu não posso ficar...
A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua.."




sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A pedra mais alta

Às vezes eu fico me perguntando como as coisas se sentiriam se pudessem sentir.
Por exemplo, uma caneta, sendo sempre pressionada, pra se gastar com facilidade e ser deixada de lado, penso que não seria muito bom. Ou um livro, será que ele ansearia por ser aberto e trasmitir conhecimento, ou será que ele ficaria de saco cheio, afim de ficar em paz em uma biblioteca qualquer?
Penso mais ainda sobre aquela pedra (ou seria rocha?) mais alta e mais extensa, próximo da praia. Ela fica ali, parada e firme, pronta pra receber qualquer visitante um pouco mais aventureiro com uma máquina na mão. Ser essa rocha deve ser torturante. Ela fica ali, aguentando todas as pisadas, todo o peso de todas aquelas pessoas, que vêm, fazem suas poses, tiram suas fotos e depois se vão, sem sentar na pedra, sem refletir sobre a sua importância ali, sem ter consciência do peso que ali deixaram. Me pergunto se essa pedra nunca tremeu sobre um peso maior, e aposto comigo mesma que já. Afinal, são muitos passando por ali sem parar.
E o que eu penso que é pior não é nem suportar tanto peso. É suportar e ponto, estar ali pra isso. Porque, depois que as pessoas vão lá, tiram fotos, curtem um pouco o visual, elas partem apressadamente. Elas querem ir pro mar, elas foram a praia pra ver o mar, como comparar mera pedra quando se tem o mar? Então eu acho que isso é o mais difícil... Suportar todas as coisas enquanto o mar que leva o crédito. A pedra não tem nada de seu. Talvez o mar também não, mas a gente consegue perceber a diferença não é?
E aquela pedra vai ficar ali, segura, forte, pronta pra satisfazer os desejos de quem vier a passar por ali, mas sempre vai ficar olhando o mar enquanto nao houver ninguém lá em cima. No fundo, eu acho que ela compreenderia a sua importância. Ela saberia que ela proporciona momentos únicos e que as pessoas realmente esperam que ela esteja ali, firme e imponente, para suportá-las, para alcançar uma visão linda da praia e com isso, talvez, um pouco de paz. Mas isso ainda não é o suficiente. Acho que ela continuaria ali pra sempre, mas sempre pensando em como seria se um dia simplesmente caísse e virasse um pouquinho de mar.