segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Faz de conta

Uma hora eu vou ter que fazer ciência.
Mas eu queria mesmo era fazer de conta.


Houve uma época que invenção era legal.
Ser inventor tinha lá seu charme.
Hoje, se sonhamos com um mundo melhor estamos "inventando demais".


Eu quero a mudança do mundo.
E quero que venha de dentro pra fora.
E não quero brigar pro mundo mudar.
Eu quero amar, amar e amar mais um pouco.
E minha revolução viria daí: do ato difícil de continuar amando, mesmo quando não der mais.

Não importa qual o sistema de produção, não importa qual a forma de governo.

Importaria educação, gentileza, bom-senso e mais um pouquinho de amor.

Mas isso não é ciência. E que besteira eu ficar aqui pensando essas coisas, quando tenho um monte de metodologia pra estudar.

Não dá pra ficar pensando em besteiras, porque eu tenho um monte de ciência pra fazer.

E eu vou lá, fazer trabalho.
Fazer artigo,
Fazer resumo,
Fazer o bem...

Ih, olha eu fazendo de conta de novo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Quem procura, acha.

E me aperta a garganta a dúvida de porque que eu sempre procuro com tanto afinco quem eu menos quero encontrar.

É bom te ver, conversar com você e saber da sua vida, mas é angustiante, porque não é da sua vida que eu quero saber.

É de outra. (ou não?)

Mas eu continuo procurando várias outras...

No fim das contas eu deveria procurar é a mim mesma.

Mas eu tenho tanto medo de me achar nesse alguém que não sou eu. {E se for (e se não for?) como é que fica?}

Sei lá, procuro tanto quem eu menos quero encontrar, com medo de achar quem não estou procurando.

Sol, Raio e Lua

Começa o mês e meu amor é tão crescente, que eu realmente acho que as coisas vão vingar.
Mas aí, na semana seguinte, as coisas minguam e eu não quero mais te ver.
Na semana depois vem a angústia e a vontade de conhecer coisas e pessoas novas.
Mas a semana decisiva e a que dura mais tempo é aquela em que me dá vontade de sumir e eu fico cheia de tudo e todos.


Não dá pra parar de me perguntar: se eu gosto tanto do Sol, porque Raios tenho que ser tão de Lua?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Saudade da praia....

Era cedo, calor.
Foi pra praia.
Jogou bola, tomou Sol, encheu o rabo de areia, nadou.
Ficou todo ardendo.


Foi pra casa, tomou um banho.
Pôs uma roupa confortável e voltou pra praia.
Sentou, ouviu o barulho do mar.
Encheu a mão de areia e depois esvaziou.
Respirou fundo, foi embora.

Dia seguinte, o céu nublado.
Foi pra praia de novo e mesmo assim.
Caminhou, tirou a areia dos olhos.
Ficou até o dia virar noite.
E fez questão de assistir o processo ali mesmo.


Ficou ali horas e horas,
sentindo o vento, cheirando o sal do mar.
olhando as palmeiras, as pessoas, esse planeta em particular que é a praia.
Fingindo que estava pensando na vida.
Porque na verdade não conseguia pensar em nada,
só esvaziava o pensamento.
Mas mantinha aquela expressão de quem tem muito o que pensar da vida.


Todo aquele tempo que ficou ali,
enterrando e desenterrando os pés,
só uma coisa lhe passou pela cabeça:
Será que se morasse na praia, perto da praia...
Amaria a praia como se ama alguém?
Assim como a saudade tão verdadeira que dela sente quando está longe?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Fim do pote de ouro


Por que alguém gostaria de chegar ao fim do arco-íris?


Prefiro permanecer assim: eu ali pra ele, ele ali pra mim.

Porque ele sabe mais de mim do que eu jamais saberia.

Porque mesmo tão diferente de mim me dá conselhos melhores do que eu jamais daria.

Que em tantas divisões consegue ser um só na mais rara representação da beleza divina mais pura.

Me diz agora alguém que se diz sábio:

Pra quê querer o pote de ouro...

Se no fim do pote de ouro não tem um arco-íris?

terça-feira, 5 de julho de 2011

Eu sou coelho


É, todo mundo me aponta e vê em mim orelhas grandes, olhos vermelhos e pêlo branquinho.
Tá bom, se vocês insistem, eu sou um coelho.
Não vou brigar por causa disso. Não mais.

É porque eu tenho uma coisa de peixe em mim.
Quase ninguém sabe, mas se eu não tivesse tão benfeitamente sido feita coelho, eu seria peixe.

Eu sempre tive que conviver com essa crise de personalidade.
Já briguei muito com as pessoas tentando provar pra elas que sou peixe e não coelho.

Em vão.

Até o dia em que eu percebi que o que me incomoda não é ser coelho.
É ter que agir como um coelho.
Não me importo de ter orelhas grandes, olhos vermelhos e etc.
Desde que não me coloquem pra entregar ovos de páscoa.
Ou sair de cartolas.
Deus, eu odeio cartolas!

No fim das contas eu acho ótimo ter nascido coelho.
Porque eu vou fazer o que eu quero e nadar como um peixe!

E provar pra todo mundo que nem todos os coelhos são iguais, nem todos os coelhos tem que ser iguais.

Assim, como nem todos os peixes, nem todos os leões, nem todos morcegos tem que ser iguais.
O que te parece natural só o é até onde você deixar que seja!



domingo, 3 de julho de 2011

Personalidade múltiplas

Já faz um tempo que descobri que sou muitas.
Uma pra cada pessoa do meu caminho.
E são muitas pessoas no meu caminho.

Seria isso ruim?
Essa fluidez de personalidade é sinônimo de ausência de opinião própria?

Em um tempo da minha vida descobri que não.
Sou como várias imanências com uma essência em comum.

O problema é quando as imanências se conflituam com a minha essência.
E aí eu já não sei mais o que é essência, o que passageiro e o que é necessidade de aceitação.

Já não sei mais quem ou o que sou eu.

Se eu percebo que até minha essência é mutável, ainda conta eu me sentir segura só por ela não ser tão mutável quanto as minhas outras características?

Tá, tudo tem um limite e isso me tranquiliza, mas às vezes eu perco o ponto onde o limite está.

O que eu tenho a fazer é respirar fundo e resolidificar minha essência em trânsito.
No fim das contas é mais fácil quando se aceita que viver é sinônimo de reconstruir.