segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Caos

Tenho tido tanto pra dizer e tanto pra pensar,
que preciso mesmo, é de esvaziar a mente e parar pra ouvir.

domingo, 20 de novembro de 2011

Bolhas, bolhinhas e bolhões

Era uma vez uma mão.
Que encontrou uma enxada.
Da união nasceu uma bolha.
Que não resistiu por muito tempo.

Eis que da antiga bolha
Nasceu uma outra bolha,
Menor, mas não menos dolorida.
Que também furou rapidinho.

Mas o mais engraçado nessa história não inventada,
É que, por mais que essa brincadeira traga a dor verdadeira,
vejo o quanto estou feliz e grata,
Por ter tido a bolha da vida estourada.
(Ainda que por pouco tempo)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Insônia

Hoje acordei no meio da noite e custei a dormir.

Mas pela primeira vez eu não fiquei com raiva porque estava cansada e queria dormir.

Muito menos preocupada por ter que acordar cedo no outro dia.

Eu só sabia sorrir. Lembrar e projetar, ao mesmo tempo coisas tão pequenas mas que me fazem tão feliz.

Foi uma paz e uma alegria imensa.

Usando a definição de um grande amigo meu, foi a sensação de que o mundo podia cair que eu ia passar dançando do ladinho dos escombros...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Aos 14

Um sorriso, um "oi".
E o pensamento sempre processando muito rápido motivos para aceitar ou não aquilo como o sorriso, ou o "oi".
Sem respostas, resta a dúvida e mais um bocado de sorrisos que são só mais uns.
E aquela expectativa que parece não ter fim.
Não que a noite tenha sido ruim,
é só que poderia ter sido bem melhor.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Diego

Não entendo muito bem de arte.
E acho que arte não é pra ser entendida.
Mas acho mesmo que só acho isso porque não entendo de arte.

Mas consigo achar isso ou aquilo bonito.
E consigo achar maravilhoso,
A ponto de me perguntar: Deus, como isso é possível?

E eu vejo.
Quadros, desenhos, pinturas, miniaturas.

Na sua mão tudo vira arte, e isso me impressiona demais.
lápis de cor, lápis sem cor, terra, carvão, papel, moldura, durepox.
E no meio disso tudo tanta música.
Porque você ama música e a música parece te amar, e você faz ser visto aquilo que ouvimos nessa confusão de música, papel, material, arte e você.

Você inventa arte.
E se a arte imita a vida,
acho que você inventa um pouquinho de vida também.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Benjamim Button

Acordou com a sensação de que tinha descobrido o que havia de errado.
Descobriu que tinha em si um pouco de Benjamim Button.
Com o corpo, tudo certo, mas com a alma, algo andava meio decrescente.
Nasceu velho, chato, preguiçoso e cheio de razões que achava ter e não tinha.
Com o passar dos anos, ficava mais animado, mais disposto, com mais vontade de conhecer o mundo.
O problema é que as pessoas ao redor não eram assim.
As pessoas se desenvolviam conforme se tem que ser, ficando cada vez com mais responsabilidades, mais stress, com mais preguiça.
E ainda que achasse uma delícia estar rejuvenescendo, ia ficando cada vez mais sozinho num mar de pessoas.
Que sempre esperavam o dia que fosse crescer.

sábado, 24 de setembro de 2011

Carta de apoio aos professores da rede estadual de Minas Gerais

Queridos guerreiros,

Eu não sei se essas palavras ajudarão vocês em alguma coisa. Já é tanta mentira, tanta injustiça, enfim, tanto mal que eu já desconheço a quantidade de bem necessário para neutralizar um pouco essa história. Mas, me desculpem o egoísmo, preciso me ajudar. Eu preciso, eu necessito falar, escrever e gritar contra tudo o que tem acontecido. Eu necessito tirar de mim toda a força que possuo e entregar para vocês (não que vocês pareçam precisar) para que vocês continuem administrando essa nossa chance de nos levantarmos contra os gigantes e mostrar que independentemente do tamanho da repressão imposta, sempre haverá espaço para a luta pela verdade e o bem.

Preciso agradecer, imensamente, por tudo o que fizeram e fazem por mim. Obrigada por me ensinarem a ler, a escrever e por me ensinarem a importância que isso deveria ter em minha vida. Obrigada por me colocarem na universidade que hoje estudo. Obrigada por perguntar o que havia de errado comigo quando eu não estava bem e por me ensinarem, assim a importância de se preocupar com o outro. Obrigada pela lição de cidadania e por defender com tanta garra a melhoria do meu país em sua maior capacidade de mudança: a educação. Mas, mais que tudo isso, muitíssimo obrigada pela lição de vida. Por me mostrarem o que é a verdadeira fé, a força, a alegria e o otimismo diante das dificuldades.

Quando o governo desvalorizou tanto a educação, acabou criando aquilo que ele chamaria de “monstros”: profissionais que não consegue mais controlar, nem entender a incapacidade de desistir diante de tantas retaliações e ameaças. O governo não entende porque nunca teve que enfrentar a precariedade da infraestrutura das salas de aulas, a ingratidão de alguns pais e o desinteresse de alguns alunos, nem a falta de dignidade retratada no contra-cheque. O governo nunca teve que fazer das adversidades o seu trabalho e nunca teve que extrair dessas cada vitória e motivação para seguir em frente. Isso o governo – e que perda para ele por isso – não entende e, logo, não entende que não iremos desistir!

Finalizo, enfim, me emocionando e agradecendo mais uma vez por não pararem de me ensinar nunca. Até aproximadamente 100 dias atrás, nem me passava pela cabeça dar aulas. Hoje já me vinculei à licenciatura e aguardo ansiosamente o dia em que terei a honra de dizer que sou uma de vocês!

Muita força companheiros,

O grito de força de vocês é o meu grito e o grito de todo cidadão brasileiro!

Um forte abraço e até a vitória!

Fernanda Rodrigues – Estudante de ciências sociais UFMG